Aleatoriedades literárias é um bloco onde qualquer assunto a respeito do mundo literário pode ser abordado. Adaptações cinematográficas que deram certo, opiniões, gêneros em destaque, etc.
É normal que após a
publicação de um livro que atinja um sucesso estrondoso, o gênero do qual ele
faz parte consequentemente receba mais atenção. Esses gêneros se tornam
verdadeiras febres literárias e muitos autores se inspiram nesses conceitos
para escreverem suas próprias histórias.
Romance sobrenatural,
dramas psicológicos, distopias... São alguns dos diversos gêneros que estão
recebendo bastante destaque. Por um lado, isso é ótimo. Imagine o quanto seria terrível
procurar por uma distopia, por exemplo, e se deparar apenas com duas ou três
opções? As febres literárias servem para expandir o mercado de livros e isso
permite que uma variedade maior de histórias chegue às nossas livrarias.
Mas existe um lado
não tão bom desse fenômeno. Quando a febre ganha cada vez mais força, as
prateleiras aparentemente ficam sobrecarregadas se um gênero só e você se
pergunta se não há mais nenhum outro livro fora os daquele conceito.
Foi isso o que
aconteceu com os livros de vampiros. Após a publicação da saga Crepúsculo, vários
de exemplares contando esse tipo de história encheram as prateleiras das
livrarias. A princípio foi ótimo, mas depois de um tempo, quase todos os
lançamentos eram sobre vampiros. Isso acabou levando o gênero para a mesmice e
muitas pessoas acabaram criando aversão àquele conceito. Quem nunca ouviu
alguém dizer:
“Nossa, se é de
vampiro deve ser imitação de Crepúsculo. Não quero nem ler”.
E repentinamente a
febre que cativou milhões acaba causando um impacto negativo em uma grande
parte dos leitores. Pior, quando a euforia passa, há novamente aquela
dificuldade para se encontrar os exemplares desejados, pois eles foram
praticamente deixados de lado após a sua fama ter “acabado”.
Depois disso, para
quebrar o preconceito e a mesmice quanto aos livros de vampiro, surgiram os
mais variados tipos de romance sobrenatural protagonizados por criaturas
diferentes: anjos caídos, lobisomens, fantasmas...
Com as distopias não
foi diferente, apesar do gênero ainda não ter caído na “desgraça” de alguns
leitores. Após o sucesso de Jogos Vorazes, muitos livros que retratam futuros
opressores e governos totalitários chegaram reivindicando seu espaço.
Divergente, Puros, Delírio... É uma lista em expansão. Apesar do “boom”
recente, distopia é um gênero relativamente antigo, assim como o tema
vampiresco. Antes da publicação das versões contemporâneas do gênero, os mais
famosos eram conhecidos como a tríade distópica: Admirável Mundo Novo, 1984 e Fahrenheit
451.
Com a popularização,
o conceito ganhou incrementos e também foi bastante suavizado. A temática
original era realmente cruel e com várias inspirações políticas (1984 e o
stalinismo na antiga URSS, Admirável Mundo Novo e um possível totalitarismo
capitalista). Não havia espaço para romances entre adolescentes ou mudanças
radicais. A modernidade trouxe saídas mais esperançosas para as novas
distopias, que acabara caindo nas graças do público jovem.
A mais recente febre
talvez seja a dos romances eróticos com requintes de sadomasoquismo, como Cinquenta Tons de Cinza. Pelo menos na
Livraria Saraiva da minha cidade, colocaram uma estante nova só para esse tipo
de livro.
Espero que essas
febres não acabem sobrecarregando os gêneros ao ponto de causar aversão a
alguns leitores, que acabam rotulando a categoria como “literatura ruim”. Isso
acaba por diminuir as chances de um autor novato que deseja iniciar com esse
tipo de conceito.
É certo que haverão livros bem escritos e mal
escritos, mas isso independe do seu gênero!
Com seus efeitos
positivos e negativos, as febres estão aí para serem aproveitadas. Se elas
serão momentâneas ou não, ainda não sabemos. Eu, particularmente, sou viciada
em distopias e espero que o gênero cresça bastante, mas tenho medo que todo
livro distópico ao ser lançado seja comparado automaticamente com Jogos
Vorazes.
E vocês? Quais são as
suas febres favoritas?

